O grande buraco que ferve, onde o Mato é Grosso, Brazil

sexta-feira, 5 de junho de 2026

um grande desabafão

 É sempre assim, eu clico para escrever uma postagem e todas as coisas dentro de mim se escondem, parece que ficam constrangidas, envergonhadas. Eu sumo muito daqui, né? Mas não queria, acho que é algo que eu preciso ser corajosa pra fazer. 

Acho que só recentemente consegui sair me rastejando, com muito custo, do vale das sombras em que eu fui parar, ou que eu mesma me meti (precisando assumir responsabilidades). Parece que ultimamente tem sido mais fácil voltar para a casa quando eu me perco por lá e sei lá, isso é uma notícia muito boa. É engraçado como ir se conhecendo realmente muda tudo. Muito recentemente fui entendendo e reconhecendo alguns limites nunca antes respeitados durante a minha vida até agora. Talvez eu seja lida como uma pessoa chata, mas aceitar essa possibilidade faz parte de suportar desagradar pessoas. 

Sempre dei muito role, tentei acompanhar o ritmo das pessoas em volta e não percebia o quanto isso me custava. Não sei se eu fazia isso pra fugir de mim, não sei se foi por isso também que entrei em tantos relacionamentos. Acho que eu só não queria me encarar. Ou sei lá, era difícil me aceitar, ou saber quem eu era, do que eu gostava, o que realmente EU queria. É doloroso e constrangedor assumir isso, e é meio bizarro o quanto é difícil olhar pra si. De fato exige coragem e constância. Nos últimos anos sinto que perdi muito a coragem que eu tinha. Ou talvez eu fosse absolutamente impulsiva e finalmente eu comecei a PENSAR UM POUCO. Pra ter ideia, eu resolvi me mudar numa segunda-feira pra casa da minha (ex) amiga que achou uma boa ideia dividir o apartamento comigo. Eu ganhei um aumento e pensei "ESSA É A MINHA CHANCE DE MORAR SOZINHA!!!! O QUE PODE DAR DE ERRADO?". A verdade é que foi um grande pesadelo. É muito difícil morar com alguém tão diferente de você em determinados aspectos, o mais chato foi perceber o quanto a pessoa se aproveitava e eu deixava. É foda quando você para e percebe que você não fez nada pra impedir, é aquele momento que você só fica pensando caralho meu deus do céu não é possível que eu me odiava nesse nível.

Não sei se quero entrar nesse assunto, mas 2023-2025 foi extremamente difícil pra mim. Saí dos meus pais, estava num emprego com chefes completamente incompetentes e malucas, lidando com bomba atrás de bomba, num relacionamento completamente merda. Minha vida tava numa decaída intensa, completamente not stonks. Primeiro era muito difícil ficar sozinha, depois começou a ser muito difícil estar acompanhada. Essa segunda fase está durante até agora. Às vezes sinto que tive um burnoutinho e tô me recuperando só agora. 

Tomei coragem e me demiti, voltei para casa e terminei o relacionamento. Me livrei do emprego, da queridona que se dizia amiga e terminei com o cara mais chato e pentalho que já namorei na vida e parece esses foram meus últimos atos de coragem, porque depois disso eu me sentia completamente morta por dentro e não tinha força pra absolutamente nada. Ver meus amigos? Não conseguia, parecia uma tarefa impossível. Sair de casa era um grande pesadelo e sempre me dava vontade de chorar e me matar. Sair de casa parecia custoso demais, lidar com os outros me esgotava a ponto de passar uma semana inteira exausta da interação. 

Em alguma medida ainda me sinto assim, mas tenho conseguido dizer mais "nãos", estabelecer limites e etc, sabe? Bate uma culpa e muita autocrítica.

Escrevi tudo isso e tô meio chateada porque percebi que foi um desabafo que não saiu do jeito que eu queria. Ainda parece muito engessado, acho que eu escrevo assim quando ainda não estou muito confortável com a ideia de me expor. Mas eu queria muito me colocar a frente do processo, tipo, eu quero criar. Acho que eu consumo demais e parece que nem dá tempo de digerir as coisas. Acho que vir aqui me dá medo de escrever absurdamente mal e errado e de alguma forma perder uma credibilidade que nem existe de fato. Vem de novo o medo de desagradar, de ofender, de errar, sei lá. E foi isso que senti a vida inteira, como se eu sempre tivesse vivido meio errado, como se eu não tivesse entendido como as coisas funcionavam, sempre senti uma inadequação muito grande e tentei me enquadrar o máximo possível e me escondi a todo custo até não ser mais suportável fazer isso. 

Acho que fingi tanto que eu mesma me confundi no que era bom ou ruim pra mim. Nunca descobri, daí agora com 30 anos de idade tô aqui, quase como se tivesse saindo de um casulo de pedra. Desde que comecei esse blog vi minhas queixas sendo quase sempre as mesmas e é esquisito se ver não saindo do lugar. MAS A PARTE TOP DISSO TUDO É QUE EU SINTO QUE FINALMENTE TÔ SAINDO DO LUGAR. São altos e baixos, mas quero dizer que parece que agora eu consigo ser mais consistente, nem que seja só 1% a mais, sabe? Uma migalhinha de nada.

Vou postar antes que eu pense demais e deixe guardado só nos rascunhos. Quero muito recomeçar.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

como é gostoso ler postagens antigas

 li as postagens antigas e mesmo as tristes me fizeram dar uma risadinha. talvez eu esteja de bom humor? sim. talvez eu não esteja mais trabalhando igual uma cadela sarnenta e nem esteja morando sozinha dividindo com uma amiga que não ligava pra nada? com certeza, graças a deus, amém. emoji rezando.


reler blogs sempre me faz pensar no quanto eu sinto saudade da era dos blogs, como eu sinto falta de ler sobre os sentimentos, sobre a vida, acontecimentos, pensamentos das pessoas. eu só queria mais disso. e sinto que eu sou cíclica demais, deve ser a quarta vez em diferentes momentos da minha vida que falo sobre o Quanto Eu Sinto Saudade de Ler Mais Blogs. um lado meu quer ser apenas uma leitora silenciosa, às vezes tenho um monte de coisa pra falar sobre aquilo que a pessoa disse e... simplesmente não consigo. será que vai parecer bobo ou emocionado demais? ler sobre outras pessoas realmente mexe muito comigo. me lembra sobre como cada um é cada um e isso é lindo. é realmente bonito.


minha vida mudou todinha, sabia? saí de um emprego que me escravizava de uma forma insana e só depois que eu saí dele percebi o quanto eu trabalhava, mas enquanto eu estava lá achava que não fazia nada. bizarro isso, que loucura, meu. 

agora trabalho pra alguém que admiro a conduta, a responsabilidade, a ética, enfim... é outra vida. ganho menos? nossa, umas mil vezes menos, mas foi incrível essa mudança na minha vida. o me fez pensar demais sobre o quanto é bom ter dinheiro, MAS A QUE PORRA DE CUSTO? enfim, quando eu ganhava melhor tinha dificuldades financeiras, porque sou uma bagunça, um caos, uma desorganização completa, profunda e insana. tem dias que eu tenho muita esperança de melhorar, de conseguir, já outros é como se eu aceitasse que talvez eu precise viver com essa frustração imensa.

ando tentando me conectar mais comigo mesma, entender o que é importante e valoroso pra mim e vai parecer bobo dizer isso, mas mudou a minha vida olhar por essa perspectiva. ainda sou ansiosa, ainda bate a depressão, mas agora é como se algumas coisas tivessem menos poder sobre mim, não sei.

mas percorrer esse caminho, preciso dizer, é mais difícil do que parece. é difícil parar e pensar no que te faz realmente bem, PENSAR mesmo, sabe? fazer sinapses, botar os neurônios pra jogo. é doloroso às vezes pensar. eu preciso escrever pra pensar melhor, mesmo que seja de qualquer jeito. voltei a escrever num diário também. e como é bom registrar as coisas, como é gostoso. bem que falam "relembrar é viver". ai como filosofa...

acho que o que eu mais quero agora na minha vida é conhecer a mim mesma e poder ser como me faz bem ser. estou me sentindo motivada a viver enquanto há o que ser vivido, me sinto sendo mais intencional, olhando pra cada coisa com mais carinho... enfim, por hoje é isso.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

 precisando escrever porque eu não sei lidar com sentimentos ruins. eu não sei lidar com eles sem sentir uma angústia enorme como se a minha vida fosse acabar.

e hoje eu estou me sentindo tão sozinha e tão desamparada. e lidar com esses dois sentimentos juntos dói tanto. é um sentimento de incompreensão muito intenso e eu sei que tenho com quem contar, mas é como se eu já tivesse esgotado de fato as pessoas a minha volta.

enfim, é só como se tivesse o monstro da dor dentro de mim e ele não parasse de crescer, igual a alice quando come o biscoito e começa a crescer a ponto de começar a ficar espremida dentro da casa.

acho que tudo tem sido muito difícil e claro que pode ser só um ponto de vista carregado de negatividade.

tem dias que eu não digo tanto pela vida, mas pela falta de repertório pra enfrentar todos esses sentimentos difíceis, quando tudo dói mesmo sem um motivo que seja palpável. acho que eu mesma me julgo e não me aceito e acho que talvez isso faça doer mais ainda.



quarta-feira, 17 de abril de 2024

 me sinto presa no limbo dos sentimentos, das escolhas, certezas e incertezas. e a vida é um monte disso. me sinto presa na minha própria vida, nos meus sentimentos, nas minhas escolhas, nas minhas poucas certezas e nas minhas muitas incertezas. 

me sinto presa na dificuldade em lidar com os outros, com o mundo, com tudo. o progresso é tão pouco progressivo.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

tortura não é entretenimento

 saí de casa no impulso. a minha vida que já era de cabeça pra baixo, virou completamente do avesso. 

esses dias cheguei em casa e não tinha ninguém, tinha só uma louça de três dias atrás e a roupa que estava destinada a ser lavada pela quarta vez me esperando.

então eu chorei.

enquanto lavava louça.

tentei dar a volta por cima colocando uma comédia romântica italiana da netflix no celular e deu razoavelmente certo.


a verdade é que estou bem exausta e certamente nem nos meus piores pesadelos adolescentes eu achava que ser adulto era isso. queria muito mesmo ter uma vida um pouco mais funcional, apesar de estar sendo funcional o suficiente para trabalhar, eu não sou funcional pra cuidar de mim mesma. 

como pode ser tão difícil cuidar da gente mesma? sério, COMO. PODE?

 


domingo, 29 de janeiro de 2023

nenhuma conexão

 às vezes acho que ouço pouca música. na real, eu realmente não ouço quase nada nunca, quando eu me dou conta disso eu me forço um pouco a ouvir, porque me faz bem, no geral.

hoje não quero escrever muito, mas queria desabafar, já que não tem outro lugar da internet em que eu me sinta a vontade.

não quero ter que contextualizar o desabafo, então lá vai:

tô frustrada, porque trabalho igual uma cadelinha sarnenta, mas essa semana não vou ter dinheiro nem pra pegar ônibus. 

esse mês teve tanta coisa pra pagar que eu realmente parei e me perguntei se estava vivendo ou pagando contas. pra piorar meu gato teve uma infecção urinária e eu gastei milhares de reais com veterinário, remédios, etc.

sim, a vida adulta no geral é isso.



domingo, 24 de abril de 2022

Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo

 Depois de passar por uns maus bocados - a crise depressiva rotineira da TPM -, agora sinto uma ânsia por viver. A sensação é de que preciso sentir sentimentos fortes e avassaladores pra me sentir um pouco mais viva, ou pelo menos sentir que é pra isso que estou vivendo. A rotina engole a gente muito sorrateiramente e se não prestarmos atenção vamos cavando um buraco, nos perdemos no processo e pra voltar pra superfície fica custoso demais. 

Acontece que sentir sentimentos vicia e você acaba precisando de doses cada vez mais fortes, mas logicamente fica insustentável tudo isso e daí rola aquele processo de abstinência em que a depressão e ansiedade vem chutando a porta ao som de All Star, Smash Mouth kkk

Estou falando tudo isso, mas a verdade é que nem cheguei nesse ponto, mas a parte completamente louca e irracional de mim queria chegar. Tudo de tudo pra me sentir mais viva, sei lá. Sou muito apegada a conceitos de certo e errado e às vezes eu fico pensando qual seria a maneira certa de viver e isso é MUITO ruim, porque é como se houvesse uma receita a ser seguida, todo um protocoloco pra ser cumprido e... não tem, né, gata? Enfim, queria que tivesse, mas talvez não teria graça, ou talvez eu mesma não seguiria, pois a falta de constância na minha vida é um problema.

Esses dias comecei a rever uma série que lembrava que tinha me causado fortes sentimentos: Love. Nas minhas pokas ideias eu considero essa série bem profunda por alguns muitos pontos (sempre muito específica, né, Vitória?). A série trata de relacionamentos e retrata de uma forma que eu considero bem realista, aborda bastante sobre vícios e etc. Enfim, é uma série que me emociona e mexe bastante comigo, acho que me identifico bastante com a Mickey em determinados aspectos, tipo, em relação a ser meio viciada em amor e sexo? Não acho que chegue a um nível patológico agora, pois sou uma pessoa já mais terapeutizadah, mas quando eu era mais nova certamente chegava. Tanto é que como já mencionei aqui antes, eu vivi boa parte da minha vida em função de relacionamentos, amor e sexo e sinto que me perdi tanto de mim mesma. Sei lá, é ruim chegar aos 26 anos não se conhecendo muito bem, pela falta de envolvimento consigo mesma. 

Cabei de notar que to sempre falando as mesmas coisas, acho que no momento esse tem sido meio que o ponto central da minha terapia e etc.

O que vocês fazem pra sentir que tão vivendo?